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A Vila de Nerpio encontra-se encravada na cunha formada pelas províncias de Granada, Jaén e Múrcia, uma encruzilhada de caminhos onde Castela se perde no Sul. O seu termo municipal faz fronteira com Múrcia, Jaén e Granada. Confina com nada mais, nada menos do que sete termos: Yeste, Letur, Huéscar, Puebla de Don Fadrique, Santiago de la Espada, Moratalla e Caravaca de la Cruz. Tudo isto, sem dúvida, influenciou as formas e maneiras das gentes de Nerpio, as suas tradições, fala, a sua hospitalidade, uma espécie de mistura de culturas próximas, que tornam mais interessantes os aspetos etnográficos da vila. A sua paisagem, dominada pela Sierra de las Cabras, é banhada pelas águas do Rio Taibilla, em cujas margens se conservam vestígios de uma longa história de povoamento humano.

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Sobre Nerpio

<p><strong>Património</strong></p>

Nerpio está imerso no vale estreito e retorcido do Taibilla e o seu núcleo urbano situa-se nas encostas do Cerro, vulgarmente chamado Cerro de las Antenas – pois foi ali que se instalaram as primeiras antenas de televisão – umas majestosas massas rochosas que nascem às margens da passagem do Taibilla, o qual corre paralelo à povoação. Pelo outro lado corre o Acedas, que se une ao Taibilla no Angosto, o que confere às águas um protagonismo excecional na povoação.

O núcleo urbano está situado entre estes dois rios, mas atualmente foram-se formando outros núcleos de população no mesmo perímetro urbano: a ponte de pedra une a vila às zonas de lazer (pubs e discotecas) onde também se estão a edificar casas novas, bem como na parte que decorre entre as casas florestais e a bomba de gasolina (El Colla). De Nerpio dependem 11 aldeias e cerca de uma centena de herdades e núcleos de população, que são:

  • La Dehesa, onde se destacam as suas herdades.
  • Yetas, com os seus cuidados socalcos de tradição árabe.
  • Jutia, os seus pinhais e o seu vale.
  • Las Cañadas, ao pé do pico de las Cabras entre azinheiras.
  • Los Chorretites, com os seus zimbros.
  • Pedro Andrés, com a sua indústria incipiente.
  • Vizcable, e o seu belo vale.
  • Turrilla, com a sua horta.
  • Bojadillas, entre as grandes formações rochosas.
  • Huebras e Beg.

Destacamos também a importância de herdades e aldeias como Casa de la Cabeza, Cortijo de Isidoro, Cortijo Nuevo, Prado de las Yeguas, Los Sacristanes e Las Quebradas.

O conjunto urbano mantém um certo air medieval com ruas estreitas e aprazíveis onde a presença dos automóveis parece estar vedada, podendo circular apenas com liberdade limitada na zona da Carretera, da Terrera ou da Plaza. Nerpio é um conglomerado de ruelas, ladeiras, degraus de pedra, pracetas e milhares de recantos de sonho onde pode cruzar-se com os seus anciãos habitantes, as crianças que saem da escola ou até algum animal. A vila integra-se harmoniosamente com a natureza, as suas ruas muitas vezes desembocam nas hortas, nos bosques ou na margem do rio. Podemos perder-nos num passeio pelas ruas e observar os curiosos nomes de algumas delas:

  • La de los Coches
  • Callejón de las Calaveras
  • Calle Corralico
  • Descer às casas do rio
  • Subir a ladeira da Ermida por Casas Nuevas
  • Subir ao miradouro do castelo
  • Percurso do encierro desde a fonte da Capra Hispánica passando por El Partidor, a rua Ancha e desembocando na Plaza Mayor
  • Subir pelo beco da Urdidora acabando na rua Alta
  • Observar o Cerro de las Antenas próximo e o bosque que cobre o Taibilla desde a rua de la Cruz
  • Estacionar o carro na Terrera e ver a passagem do Acedas
  • Descer da praça passando por baixo do Arco da Igreja pela rua de los Huertos até ao Angosto

Tudo isto salpicado de várias fontes e bicas para apagar a sede e refrescar-se neste labirinto de ruas estreitas. Por onde quer que entre, durante o dia ou com as luzes da noite, Nerpio é um compêndio de arquitetura rural que, salvo exceções, mantém o seu sabor antigo e um respeito ao passado através destas velhas construções. Mas Nerpio não permanece impassível ao decorrer do tempo e a modernidade também chega às suas ruas, cabendo destacar:

  • O moderno e funcional edifício da Casa de la Cultura de construção recente.
  • A reabilitação do moinho que abastecia a vila com luz antiga, La Fabrica de la Luz, onde se está a construir um centro para o turismo, imerso numa preciosa zona recreativa rodeada de nogueiras e onde a água corre fresca.

As provas de que a história deixou marca em Nerpio são várias, tanto na própria vila como nas aldeias, que infelizmente não se viram livres do esbulho e do saque de pessoas ignorantes que destruíram parte do nosso património. Repetimos que um dos principais atrativos de Nerpio é a sua história, pois, como dizia um lema que tentava promover o turismo: "O termo municipal de Nerpio alia história, tradição, presente e futuro".

<p><strong>Fauna e Flora</strong></p>

E se a história é um dos valores fundamentais de Nerpio, que dizer da própria natureza, um bem intrínseco e vital por si só, que aparece em cada quilómetro do município. Uma das principais riquezas naturais que Nerpio possui encontra-se no “Plantón de Covacho”, onde encontramos uma nogueira de 500 anos de idade. Encontra-se a 2,5 km de Nerpio, seguindo a estrada de Pedro Andrés, no denominado Valle de los Nogales, onde os moinhos arruinados se escondem entre as silvas, os freixos, os choupos e as heras.

A nogueira ou nogueira é a marca de identidade de todos os habitantes da comarca do Taibilla. Não podemos esquecer que muitas civilizações consideraram a árvore como algo sagrado e eixo do mundo. Pelo seu belo aspeto e copa larga, a nogueira é a imagem do céu protegendo e abrigando a terra, simbolizando pela sua longa vida a imortalidade. Na Grécia antiga, a nogueira estava sob a proteção de Ártemis, Deusa da Natureza, sendo uma criação do seu irmão Apolo, o Sol.

Para poder rodear o tronco desta nogueira de dimensões impressionantes, são precisas 6 pessoas; tem 23,50 m de altura, 1,50 m de altura até à cruz e 31,70 m de largura máxima de copa. Seus ramos são muito longos e muitos deles, com sua frondosidade e força, poderiam ser nogueiras individuais. Seu estado de saúde é muito bom – apesar de sua longevidade – graças ao cuidado que lhe dispensam os florestais com carinho e dedicação.

O Plantón é – com absoluta segurança – o emblema mais representativo de Nerpio, e toda a vila saiu à rua quando, há alguns anos, se pensou em abatê-la pelo seu grande valor económico. A partir deste momento, a árvore foi adquirida pela Junta de Comunidades de Castilla-La Mancha, tornando-se monumento natural catalogado como árvore singular.

A riqueza natural destas paragens complementa-se com uma variedade tanto da fauna como da flora que convivem e evoluem ao mesmo tempo, apesar dos impactos ambientais.

Podemos encontrar inúmeras variedades animais, nas partes mais altas e frias, nas mais quentes dos vales dos rios, no céu e na rocha; correndo entre os azinhais e trepando pelas copas dos pinheiros e nogueiras.

As espécies mais características são:

  • Falcão Peregrino
  • Peneireiro
  • Cabra Montês
  • Lebre
  • Rola
  • Javali
  • Águia-real
  • Águia-cobreira e Águia-calçada
  • Açor
  • Bufo-real
  • Gavião
  • Gato-bravo
  • Tourão
  • Gardunha
  • Teixugo
  • Garça
  • Esquilo
  • Raposa
  • Perdiz
  • Trutas
  • Carpas
  • Barbos
  • Cobras
  • Víboras
  • Ratinhos do Campo
  • Andorinhas-dos-beirais
  • Cegonhas

E no que se refere à flora, assinalamos:

  • Nogueira
  • Choupo
  • Freixo
  • Pinheiro-do-Alepo e Pinheiro-bravo
  • Azinheira
  • Zimbro
  • Sabina-preta
  • Amendoeiras
  • Tomilho
  • Lódão-bastardo
  • Trovisco
  • Santolina
  • Segurelha
  • Choupo-branco
  • Alfazema
  • Alecrim
  • Madressilva
  • Manjerona
  • Retama
  • Funcho

<p><strong>Festejos</strong></p>

  • Festas em Honra da Virgem da Cabeça: 30 de abril.
  • A Feira de Agosto (Encierros): De 19 a 22 de agosto.
  • O Encontro das "Cuadrillas": De 24 de dezembro a 6 de janeiro.